As políticas públicas têm se empenhado para que seja oferecida uma educação equitativa e de qualidade: toda criança tem garantia de vaga nos bancos escolares, livros, materiais didáticos são distribuídos, as famílias de baixa renda recebem benefícios por cada filho matriculado, a merenda garante, muitas vezes, a única refeição nutritiva dos docentes, as escolas têm sido gradativamente equipadas com aparelhagem multimídia, salas de leitura, atualização do acervo das bibliotecas e outras infinidades de ações que visam a melhoria da qualidade de ensino.
Não podemos negar que esforços têm sido feitos, “nunca na história deste país_ jargão preferido do ex-presidente Lula_ se fez tanto pela Educação, todavia qual será o “lado negro da força”?
Os índices das avaliações externas das escolas públicas denunciam que a aprendizagem tem atingido níveis insípidos em vista de todo o investimento aplicado e se reúnem ministros, secretários, cientistas da educação, pedagogos, dirigentes de ensino numa tentativa inóspita de descoberta da “fórmula mágica” que reverta este quadro.
São oferecidos cursos de atualização e extensão universitária aos docentes há décadas e não se vê o retorno esperado. Quando se prioriza a melhora no desempenho do profissional se investe prioritariamente no elemento humano para depois lhe oferecer oportunidades de capacitação cognitiva. O que os magistrados não percebem é que a grande maioria dos docentes das escolas públicas leciona em dois ou mais turnos e há aqueles que se deslocam de uma escola a outra, de uma instância a outra _ pois tem professores que acumulam estado, município e, os mais aventureiros, privada. Este acúmulo de funções acarreta um desgaste tanto físico quanto emocional que às voltas com centenas de alunos, preparo de aulas, deslocamento de uma escola a outra, correção de atividades e avaliações não têm tempo hábil para se dedicar aos cursos oferecidos pela SEE.
Não se trata de falta de vontade ou de comprometimento com a Educação, mas para que o professor consiga uma vida que se aproxime da dignidade ele se submete a executar uma multiplicidade de funções, pois se é de direito possuir moradia, vestuário, educação, cultura, lazer, transporte, plano de saúde de qualidade e etc... isto tudo se aplica àquele que é taxado de incompetente, descompromissado e desatualizado: a classe docente. E o que se ouve daqueles que deveriam defender esta classe que de forma rudimentar ou com maestria forma os cidadãos é que a solução para este quadro é qualificar o professor. Oras, caso se implantasse uma efetiva política de valorização do docente começaria por um salário condizente ao direito de ter uma vida digna. Nenhum professor se aventuraria em jornadas extenuantes e a implantação do sistema de dedicação exclusiva seria “abraçado’ pelos mesmos, visto que esta opção lhe possibilitaria suprir as necessidades vitais de um indivíduo com dignidade e o motivaria a freqüentar os cursos de expansão acadêmica.
Por outro lado, voltando-se o discurso em função do baixo rendimento dos discentes contrapondo todo investimento aplicado, salientamos que não é premiando alunos egressos do Ensino Médio com notebooks que se conseguirá reverter os índices, mas com conscientização dos responsáveis legais por esses alunos do seu papel perante a educação de seus filhos e com sérias políticas públicas de inserção no mercado de trabalho não só dos pais, mas também dos jovens, qualificando-os para a demanda sócio-política e econômica que impera na atualidade: a do conhecimento e das competências do “saber fazer” e não receber tudo pronto como vem ocorrendo há gerações.
Roseli Alexandre
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