A Declaração Universal dos Direitos Humanos apregoa que "toda pessoa tem direito à educação", contudo, apesar de um vertiginoso crescimento nas matrículas no ensino básico ainda há muito a ser feito para que se alcance um ensino de qualidade e equidade.
Sem nos ater na história da educação recorremos à universalização do ensino, que apesar de não ter atingido a totalidade da população em idade escolar sem contar o público adulto que ainda soma um considerável número de analfabetos sejam totais ou funcionais, a escola democratizou o acesso aos bancos escolares, o que não se viu, no entanto, foi uma mudança quanto à postura dos envolvidos no processo educacional.
Muito se fala sobre a aquisição indispensável da competência leitora e escritora não só em Língua Portuguesa, mas também em todas as áreas de conhecimento para sobreviver em meio a este mundo cuja metamorfose leva a aprender o "imponderável para os projetos de vida e sociedade", mas o indivíduo imbuído destes precedentes estará apto a articular-se com a multiplicidade de leituras de textos orais, escritos e midiáticos que o circundam? O aluno que tenha habilidades pictóricas desenvolvidas e não se enquadre neste molde pré-determinado pela escola estará fadado ao fracasso e expurgado do convívio escolar e social?
No livro “Escolas que aprendem” de Peter Senge há uma passagem que diz: “a aprendizagem é, ao mesmo tempo, profundamente pessoal e inerentemente social (...) No decorrer de nossas vidas, enquanto trocamos de cenário para cenário, encontramos novidades e novos desafios, pequenos e grandes. Se estivermos prontos para eles, viver e aprender tornam-se inseparáveis”. Somado a este raciocínio há também a questão das inteligências múltiplas, entenda-se por inteligência a capacidade cerebral que nos possibilita escolher o melhor caminho para a interpretação das coisas, daí a pergunta: a escola está preparada para desenvolver além das competências leitoras e habilidades, uma vertente inovadora que trabalhe com as múltiplas inteligências? Se a resposta for negativa teremos, portanto, não o fracasso do aluno, mas a extinção de uma instituição de ensino falida por não se modernizar, não aprender e não se transformar para o efetivo processo inovador da relação ensino-aprendizagem no contexto da nova Era: do conhecimento e da informação.
A bagagem cultural dos alunos não é valorizada, isto provoca um distanciamento entre a valoração de conceitos preconizados e tidos como superiores, mesmo que desconsoante com o mundo e os saberes do mundo globalizado que transfere para os jovens inteligências múltiplas não incorporadas à prática escolar. Segundo a Secretaria de Educação (SEE) a escola passa a ter um papel transformador na sociedade e para isto é preciso além da formação continuada do seu corpo docente e gestor, se faz necessária uma mudança paradigmática nas práticas educacionais no que tange o ensino de Língua Portuguesa para as múltiplas competências permitindo que seus alunos se apropriem de letramentos que permeiam todos os setores da vida social. Para isto não basta a explanação dos conteúdos arrolados nos livros didáticos e paradidáticos, tampouco dos cadernos dos alunos instituídos pela SEE.
A escola enquanto espaço do processo ensino-aprendizagem tem que ser reinventada! Compete a ela não selecionar, discriminar e banir aqueles que não se encaixam em seus conceitos anacrônicos. Uma instituição de ensino que seleciona, nivela e domestica estará promovendo a exclusão social ao passo que valorizando as diferenças, respeitando as particularidades existentes atenuará a disparidade contraditória que distancia a juventude da escolarização que renegada se entrega à marginalidade.
Os grupos sociais pertencentes à massa excluída da sociedade tiveram acesso à educação, todavia, por sua diversidade cultural não são aceitos. Se antes havia dois eixos norteadores, de um lado a formação de mão de obra qualificada para o ingresso no mercado de trabalho e de outro o preparo de uma parcela minoritária para o Ensino Superior a ordem agora é transformar o espaço escolar num espaço de processamento do saber comum às inovações e transformações pelas quais passa o mundo globalizado, urge portanto que se equacione as diversidades numa educação para o desenvolvimento sustentável pautada para o equilíbrio ambiental, para uma equidade social que coexista com os avanços tecnológicos de forma responsável, cujo intuito não seja mais a divisão desta juventude que logo, logo nos substituirá no comando global, em castas pré-definidas, mas sobretudo, a promoção de uma escola libertária que dialogue com o mundo e permita além do ingresso à Era da informação, mas formação das gerações vindouras que se utilizem das múltiplas inteligências, sejam elas verbais/lingüísticas, musicais, cinestésicas, espaciais, lógico-matemáticas para que possibilite-lhes o desenvolvimento de novas habilidades transformadoras do meio social em que estiverem inseridas e do mundo.
Roseli Alexandre
Referências:
ANTUNES, C. As inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: Papirus, 1998
FANFANI, E. T. Culturas jovens e cultura escolar. In: Seminário "Escola jovem: um novo olhar sobre o ensino médio." Brasília: MEC, 2000.
SENGE, P. Escolas que aprendem: um guia da Quinta Disciplina para educadores, pais e todos que se interessem pela educação. Peter Senge ... [et al.]; tradução Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2005
Aprender com o Imponderável. TEDxUSP - Luis Carlos Menezes. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Lbp0tqgQR-s&feature=player_embedded. Acesso em: 07/12/2011.
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